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Like A Man

Primeira semana de quarentena: o balanço.

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Depois de uma semana inteira em quarentena, é seguro fazer um primeiro balanço da “experiência”. Pontos altos e pontos baixos, o que mudou e o que estamos a aprender no processo.

Mas antes de mais, importa fazer aqui a distinção entre as pessoas que estão neste processo sozinhas, ou apenas acompanhadas de adultos, e as que têm crianças em casa. Para essas acabei de acender uma velinha aqui em casa. Os meus pensamentos estão convosco, malta. Aguentem firme. A boa notícia é que se chegarem ao fim disto mentalmente sãos, serão capazes de aguentar tudo. Sim, isto é o vosso Vietname.

Não consigo imaginar o que será estar dias e dias fechado em casa com crianças cheias de energia, ávidas de actividades e atenção. Não me interpretem mal, eu adoro crianças. Mas também gosto de montanhas russas e não queria estar numa durante uma semana inteira em modo non stop. O sentimento deve ser mais ou menos o mesmo, sendo que a montanha russa não é sangue do nosso sangue. Ou seja, com a montanha russa até podemos ser negligentes. Com as crianças nem tanto. Bom, não na primeira semana, pelo menos.

Mas vou cingir-me àquilo que sei melhor: a quarentena de um solteiro. Não posso dizer que esteja a ser um desastre. Claro que sinto falta de sair de casa, sobretudo para fazer desporto, andar de moto e para estar com pessoas, claro. Mas mesmo neste capítulo, e para ser justo, a coisa até não tem sido má de todo.

Senão vejamos: numa semana normal (de 2ª a 6ª), entre a correria do trabalho, os treinos ao final do dia e outros afazeres, raramente tinha tempo para estar com os amigos e mesmo falar ao telefone era uma coisa muito esporádica. Nesta semana foi raro o dia em que não tive telefonemas e/ou facetimes com amigos. Entre a necessidade de saber se estávamos bem e a vontade de falar (para os solteiros) e de desabafar (para os casados), a coisa deu-se com muita frequência. 1-0 para a quarentena, portanto.

Com os pais, a mesma coisa. A necessidade de saber se estavam bem e os ralhetes constantes por estarem a ir à rua sem qualquer necessidade (sim, já percebi que estamos todos a passar por esta inversão de papéis) traduziu-se em telefonemas diários. Algo que nunca faço em semanas normais, apesar dos lamentos da mãezinha. A mesma que agora até acha estranho que lhe ligue todos os dias. Vá lá entender-se! 2-0 para a quarentena.

Ao fim de semana a coisa muda de figura. Por momentos ainda pensei que viesse chuva, o que ia ajudar à manutenção do status mais caseiro, mas não. Estava bom tempo e, mesmo com varanda, fica mais difícil gerir a vontade de sair. Estava mesmo a pedir uma volta de moto ou de bicicleta. Ou “só” uma ida à esplanada. 2-1

Se calhar devia ter começado por aqui, mas convém dizer que não me recordo sequer do último dia, antes de isto tudo, em que estive um dia inteiro em casa. Sou aquele tipo de indivíduo que tem/tinha de sair de casa. Sair para tomar café ao fim de semana de manhã, de preferência numa esplanada, é programa obrigatório. E depois é fazer coisas, ler, apanhar ar, ver pessoas. Sempre me fez espécie as pessoas que são capazes de passar um dia inteiro em casa, de pijama. Não julgo, mas também não compreendo. Agora tenho que me conformar, está visto. Karma is a bitch!

Claro que podia sair, dar uma volta ou até fazer exercício físico sem ninguém por perto. Mas pensem comigo: o que aconteceria se TODOS pensássemos assim? Pois. Há que controlar o ímpeto e fazer um esforço. É para o bem de todos, já se sabe.

O máximo a que me permiti, para além das idas ao supermercado, foi fazer três viagens - no mesmo dia - até ao ecoponto mais próximo (a uns 150 metros de casa): uma para o lixo normal, outra para os plásticos e a terceira para o papel/cartão. Claro que podia ter levado tudo de uma vez, mas aproveitei para esticar as pernas. Quem não tem cão caça com a separação do lixo.

Quanto ao trabalho, tenho a sorte de poder continuar a fazê-lo a partir de casa. Digo sorte, porque daria em doido se não estivesse ocupado durante o dia. E a verdade é que a coisa faz-se. Claro que obriga a muita ginástica entre vídeo calls, teams, slacks, whatsapps, vpn’s, intranet e toda uma panóplia de APPs e ferramentas que nos mantêm ligados ao ponto de, às vezes, ser difícil fazer algo tão simples como ir à casa de banho. Mas faz-se.

Tal como o treino. Não sei se repararam no que está a acontecer, mas é impressionante a capacidade de adaptação que estamos a demonstrar. Ele há treinos em directo no instagram, no facebook e no Youtube. Até os grandes ginásios se estão a adaptar a esta nova realidade, e ainda bem. Se me permitem a sugestão, recomendo a Move Hiit, que tem treinos live no Instagram três vezes por semana, disponibiliza treinos no seu feed e, esta semana, arranca com treinos diários na Sport TV+ às 9 horas da manhã.

Não adoro treinar em casa, mas hey! faço questão de caber na roupa quando tudo isto acabar.

E por falar em roupa, como está isso a correr por aí? Não vão dizer-me que andam a reduzir o número de banhos e vestem a primeira coisa que aparece, certo? Malta, é preciso manter as rotinas. Banho matinal ou antes de deitar, conforme a preferência, e vistam-se (quase) como se fossem trabalhar. Claro que aqui excluo a malta que normalmente trabalha de fato e parto do princípio de que vestem roupa confortável no dia a dia. Agora, fato treino e pijama todo o santo dia é que não, ok? É todo um élan que se perde (sempre quis usar esta expressão num post). E, acreditem, isso vai mexer com a vossa cabeça.

E refeições? Não sei como está a correr convosco, mas eu estou um ás dos grelhados. Estou longe de ser um bom cozinheiro, mas para já consegui a proeza de ainda não ter recorrido ao take away. Se tiverem boas – e práticas – receitas que envolvam grelhados, forno ou a Bimby, façam o favor de partilhar. Temos de ser uns para os outros. #estamosjuntos

De resto, imagino que os meus dias não sejam muito diferentes dos vossos, solteiros e/ou casados/namorados sem filhos (ou outros já sabemos que é outro campeonato). Alguma TV streaming, na qual destaco "Don't *uck with cats" na Netflix e "Outsider" na HBO, que vi quase de enfiada no fim de semana passado. São ambos meio dark mas muito bons.

E depois tem havido muita arrumação aqui por casa. Desde que isto começou já preguei quadros que estavam encostados há meses, renovei molduras, arrumei armários e descobri coisa que julgava perdidas para sempre.

Afinal ainda há coisas boas nesta quarentena. Mas não facilitem. Mantenham-se por casa e tentem tirar o melhor partido disto tudo. Se nos mantivermos saudáveis não será assim tão mau.

#stayathome #staysafe