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Like A Man

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Menos julgamentos e mais amor

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Nos final de todas as edições da Moda Lisboa ou do Portugal Fashion, ano após ano, surgem vídeos feitos por este ou aquele orgão de comunicação social com os chamados “cromos da moda”. São feitas perguntas absurdas, criadas de forma propositada para o efeito que se pretende: um vídeo que se torne viral e que mostre como algumas pessoas que frequentam este eventos não pertencem ali.

 

Ora, isto levanta em mim algumas questões… Sim, é verdade que é mais fácil para muitas pessoas dizerem que sim, que conhecem as tendências do que, simplesmente, assumirem que não sabem do que se está a falar. É estranho, claro que é, mas a chamada (acabei de inventar o termo) “sensação de estrelato” deixa muita a gente dizer coisas sem noção. Talvez seja o caso, talvez não seja. 

 

Depois dos vídeos serem lançados nas plataformas digitais, que são cada vez mais tribunais da boas virtudes e comportamentos (yeah, right…?!?!), tornam-se virais, e o que não faltam são senhoras e senhores que se julgam acima de qualquer suspeita moral e intelectual. Então, pergunto: sim, as pessoas não sabem e dizem saber, mas isso é caso para fazer pouco delas? E porque é que se lê que aquelas pessoas não merecem estar ali? A moda tem mesmo de ser sempre um nicho que se fecha em si mesmo, ou deve ser aberto à sociedade? Incomoda assim tanto que alguém não saiba falar sobre esta ou aquela tendência, exista mesmo ou seja inventada?

 

De certeza que não há nada mais interessante a acontecer durante aqueles três ou quatro dias para que o foco se mude para as pessoas que assistem e não para os designers que, com sangue, suor e lágrimas, estão ali para apresentar o seu novo trabalho? Que parte do binómio entrevistador-estrevistado não devia estar ali? As duas partes?

 

Sou jornalista. Não de moda, mas que escreve sobre moda. Sei quem é Jair Bolsonaro, mas era capaz de cair na esparrela com a tendência “Spinders”… se calhar não mereço estar numa semana de moda portuguesa, mas deixo isso à consideração da organização do evento e não ao tribunal das redes sociais. Até porque as pessoas que foram entrevistadas têm convites para ali estarem. E estando, é deixá-las viver. A experiência, o sonho, o que for.

 

Há coisas bem mais importantes a acontecer no mundo e, acima de tudo, há pessoas que governam o mundo em que habitamos que, essas sim, não têm mesmo a mínima noção do que fazem. Preocupemo-nos a sério com esses e deixemos as outras pessoas viverem a vida à sua maneira. Menos julgamentos e mais amor, é o que o Universo precisa.

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