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Like A Man

18
Set17

Qual o sabor da comida libanesa?


Filipe Gil

restaurante Muito Bey Like a Man.jpg


Quem é que já esteve em Beirute, no Líbano, coloque a mão no ar! Certo, mesmo que alguns de vós já tenham lá estado, esta cidade outrora conhecida como a Paris do Médio Oriente é para a maioria dos portugueses uma verdadeira desconhecida. Por isso não podemos resistir ao convite de ir conhecer um dos restaurantes mais na moda em Lisboa: o Muito Bey. E nas linhas seguintes contamos tudo o que achámos da comida e do espaço.

Como sabem, a relação dos lisboetas com os fenícios ronda, segundo dados históricos, desde 1200 A.C. Alguns historiadores acreditam mesmo que alguns fenícios habitaram a cidade na zona onde é hoje o Castelo de São Jorge. Ainda para os mais distraídos, o local onde os fenícios habitavam chama-se atualmente Líbano, e a sua capital Beirute, de onde é proveniente Ezzat Ellaz (na foto abaixo), criador e responsável do restaurante Muito Bey. E como povos com ligações ancestrais que somos, sentimo-nos em casa, apesar de estarmos no “estrangeiro”.

Ellaz dono do Muito Bey LiAM.jpg

 

E por isso mesmo o espaço fala por si, é a Beirute moderna em Lisboa. Como nos disse Ezzat: o objetivo foi criar o ambiente da Beirute contemporânea. “Se forem aos locais modernos da capital libanesa é isto que encontram”, disse-nos. Mas falemos do que nos trouxe aqui: a comida. Pode-se já fazer uma súmula da primeira impressão: quase os mesmos ingredientes que conhecemos da nossa cozinha portuguesa mas preparados e confecionados de forma diferente. É isto que é a cozinha Libanesa à primeira vista.

 

Restaurante Muito Bey LiAM.jpg

 

Por exemplo, o limão libanês é mais azedo do que o nosso. E enquanto o alho português afasta vampiros e pode acabar com um “first date”, o alho libanês é muito mais brando.

Mas não se pense que a comida é toda mais branda que a nossa, puro engano. São layers e layers de sabor com aquela surpresa de: “ah….sabe assim, ah isto…que bom”. Começamos com cocktails. Se é tipicamente libanês ou não, nem nos interessou perguntar. Estavam divinais e só não pedimos mais porque afinal, trabalho é trabalho, cocktails são cocktails. Começamos com um Red Beirut (na foto abaixo) e um Salam. Ficámos encantados. E não, não nos pagaram para escrever isto.

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Depois a mesa foi invadida por vários pratos, com porções suficientes para serem divididas por duas pessoas. Aqui o truque parece-me ser pedir várias coisas e a dois ou em grupo provarem as várias coisas e os sabores surpreendentes. No couvert provámos, tomem nota: Zaatar – mistura tradicional de azeite com tomilho, Bezaruteb - mistura assada de frutos secos, Zeitune – mistura de azeitonas curadas e nozes e ainda Kabisse – seleção de pickles caseiros. Tudo acompanhado pelo pão árabe achatado feito também no restaurante. 


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E depois vieram os pratos: Mix de espetadas - Chiche Taúk (espetadas de peito de frango assado marinado com molho de alho), Lahmé Mechuié (espetadas de carne de vaca grelhada marinada com molho tarator) e Kafta (espetadas de carne de vaca e de borrego picada com salsa e cebola com molho tarator). Ainda antes vieram para a mesa aquilo a que se chama de Mezze Frio: Humus, Mutabal (uma pasta de beringela) e Faiflé Hamra, pasta de pimento vermelho assado com queijo feta.

 

Sim, nesta altura já parecíamos o Ljubomir Stanisic no seu programa de tv a provar uma série de pratos de empreitada. Só que ao contrário da série de TV protagonizada pelo famoso chef, nós estávamos a adorar tudo o que vinha para a mesa. Umas coisas mais que outras, mas tudo nos levou a viajar pelo Médio Oriente sem sair do local.

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A acompanhar bebemos uma bebida típica libanesa que sabe a anis, o Arak. Acho, sinceramente, que é um sabor que a maioria dos portugueses não gosta. Como vivi dois anos na Holanda e um dos vícios dos holandeses é uns rebuçados de sabor a a anis, confesso que gostei da bebida. Para finalizar, bebemos mais uns cocktails, e cada um comeu uma sobremesa diferente. O Reze Bi Halib, mil folhas de arroz doce com canela e água de flor de laranjeira. E uma Baclava, feita de massa filó em camadas com pasta de nozes, amêndoas e xarope de açúcar.

 

Arak Muito Bey Like a Man.jpg

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Sim, fomos uns sortudos porque podemos experimentar tudo. E a maioria dos clientes que vai ao Muito Bey faz opções mais comedidas – até porque foi impossível comer tudo o que nos colocaram à frente. Mas de tudo aquilo que provámos, ficou tudo aprovado com distinção.

 
Fica a sugestão, para irem jantar a um dos sítios mais interessantes da nova restauração de Lisboa. Façam uma viagem de sabores e durante os meses mais quentes - ainda restam umas semanitas - ainda podem aproveitar a esplanada de 12 lugares do Muito Bey.  Como disse algures neste texto, o mais interessante é ver ingredientes que bem conhecemos confecionados de outra forma. Para mim, foi uma surpresa. E queremos lá voltar! Confiem em nós.

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