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Like A Man

04
Nov16

O momento em que sucedemos aos nossos pais.


LiAM

hands

Já passei a barreira dos 40 anos e não tenho filhos. Não tenho filhos, mas tenho amigos. Amigos que têm filhos e felizmente ainda têm pais. São eles, os meus amigos, a ponte entre duas gerações afastadas por umas boas dezenas de anos. Uns, os miúdos, crescem e florescem cheios de vida, outros envelhecem da forma mais graciosa possível, tentando não ser um peso na já de si intensa e, por vezes, frágil dinâmica familiar. Pelo contrário, parece-me bastante evidente que cada vez mais as jovens famílias portugueses se apoiam nas suas já não tão jovens famílias. Um apoio emocional, afectivo, mas também muito efectivo. Logístico, até. É preciso ir buscar o mais velho à escola, o avô vai. É necessário dar o jantar à mais nova, a avó faz e a avó dá (ou vice versa para não correr o risco de ser sexista). A verdade é que esta é uma realidade cada vez mais presente nas famílias portuguesas. Os avós são, de facto, pais duas vezes.

 

 

No amor e na disponibilidade, que é necessariamente outra numa altura da vida em que as preocupações com a carreira são menores, ou inexistentes, sobrando por isso em disponibilidade e afecto para distribuir generosamente pelos netos, o que resulta num confortável apoio para os (ainda) atarefados pais das crianças. Resultado: ganham todos.

Mas o que acontece quando os avós adoecem ou começam a vergar ao peso da idade? Quando perdem faculdades e deixam de ser esses segundos pais que tanta falta fazem ao equilíbrio familiar? O que fazemos quando nos falta esse "chão"?  Uns mais cedo, outros mais tarde, a verdade é que esse chão acaba inevitavelmente por nos sair debaixo dos pés. Sim, um dia o porto seguro onde recorremos sempre que precisamos de ajuda vai deixar de estar lá para nós. Um dia, quando as urgências da vida moderna nos empurram para um beco com uma única saída (os pais/avós), vamos (mesmo) ter de criar outro ponto, não de fuga, mas de entendimento. Em que momento das nossas agitadas vidas vamos entender que é altura de receber o testemunho dessa enorme responsabilidade que é gerir todas as dinâmicas familiares? Não apenas da família que criámos para nós, mas também para a que nos trouxe até aqui.


Por muito homenzinhos que sejamos, esta será sempre uma altura de dúvida. Estaremos à altura do desafio? Estaremos realmente prontos para suceder aos nossos pais? Aliás, como é que isto aconteceu? Ainda “ontem” andava a jogar à bola rua e a beijar miúdas atrás do pavilhão da escola e agora tenho de cuidar dos meus pais? Na verdade nunca saberemos até termos de o fazer. E fá-lo-emos da mesma forma que os nossos pais o fizeram antes de nós. Partilhando o legado, amando e respeitando aqueles que nos fizeram quem somos hoje. Será, de resto, esse o exemplo que queremos deixar aos nossos filhos.


E, sejamos francos, estamos tão prontos para isso como estávamos para largar a chucha, enfrentar as primeiras borbulhas e a primeira desilusão amorosa (estas duas, muitas vezes co-relacionadas). Façamo-lo com a tranquilidade e segurança possíveis. Façamo-lo com a certeza de que nunca saberemos tudo e que é aceitável falharmos aqui e ali. Façamo-lo Like a Man, portanto. 

 

 

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