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Like A Man

15
Mar17

Não temos tempo para nada! Nem para os nossos filhos?


Filipe Gil

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Desde que me lembro que quis ser pai. É talvez uma coisa parva mas nunca, no passado, me lembro de pensar na minha vida sem filhos no futuro. Mesmo quando em adolescente queria ser repórter de guerra e andar pelo mundo sem lugar ao qual pudesse chamar casa.

 

Posições antagónicas, portanto. Mas que funcionaram bem. Fosse eu hoje em dia um repórter de guerra a enviar notícias para o mundo escritas dentro de um Land Rover num local inóspito qualquer, ou assentar e ter uma vida “mais normal”, como tenho hoje, sei que seria sempre feliz e comprometido com a minha escolha.

 

Hoje em dia sou um pai babado de dois putos muito cool, mas mesmo muito cool, um de 4 e outro de 8, que me enchem a vida. Fazem-me sorrir, fazem-me lutar, fazem-me gritar, fazem-me gastar uma pipa de massa em várias coisas, úteis e inúteis, mas sobretudo fazem-me muito feliz. E completo. Não me arrependo uma vez que seja de não ter tido uma vida aventureira, zinguezagueando destinos e amizades.


Contudo, e apesar da dádiva eterna que são os meus filhos, estou sempre a achar que não tenho tempo para eles. Será que vos acontece o mesmo?

 

Às vezes, confesso, dar-lhes banho é quase um frete. Chamar 30 vezes para irem tomar banho e outras 60 para saírem de lá é, por vezes muito cansativo. Há dias em que ir ao parque com eles é um suplício. Sei que se vão chatear, pontapear um ao outro, chorar, e que vão pedir a minha atenção para um simples chuto na bola, altura em que nesse momento podia estar a olhar para o facebook ou para o instragram. Às vezes simplesmente apetece estar ocupado com qualquer coisa de que nos vamos esquecer dali a cinco minutos. E que parecem mais importante que os nossos filhos. Contudo, eles não vão esquecer o chuto que não demos. Garanto-vos.

 

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E com isso vamos empurrando com a barriga as relações com as nossas crianças. Elas ali a pedir atenção e nós a tentar esquivar-nos, a ter "o nosso momento" depois de um dia cansativo de reuniões, chatices e muito trabalho. Às tantas parece que elas são um impecilho quando nem sequer nos pediram para virem ao mundo. Mas, hoje em dia temos a vida facilitada, basta comprarmos tablets ou emprestarmos os smartphones ou ainda assinarmos um canal de desenhos animados por cabo e o descanso que achamos merecido é conseguido. Os ecrãs que os eduquem!

 

Mas tudo isto está mal. Muito mal. Terrivelmente mal. E nós, país desta geração estamos a cair (quase) todos neste erro. Que recordações terão estas crianças? Serão os You Tubers que lhes ensinam asneiras e parvoíces de encher banheiras cheias de chocolate, por exemplo, mais importantes do que as parvoíces que os pais lhe ensinam? Uma correria pela casa a matar cowboys invisíveis, uma "luta" no tapete da sala em que perdemos de propósito para eles pensarem que são mais fortes? Andamos nós, pais superocupados, a tentar ter uma vida boa (que é diferente de boa vida), sermos felizes com mais dinheiro (que é importante), com status social, com cavalgar a escada social, e os nossos filhos ali, ávidos de atenção. Ávidos de aparvalhar connosco. Simplesmente só querem isso.  

 

A pressão social que hoje se vive, sobretudo com o lado maravilhoso da vida que as redes sociais nos mostram estão a dominar muitos de nós. E não pode ser. As redes sociais têm muita coisa boa, contactos profissionais, amizades e amores que nascem por ali, mas não nos podem dominar e afastar das nossas crianças. Não podemos deixar que as familias estejam no serão em casa, depois de um dia de trabalho, cada uma delas à volta dos ecrãs. As redes sociais unem pessoas que estão longe, mas têm o poder de afastar como nunca as pessoas que estão perto. Se calhar mesmo aquelas que estão ali ao lado a partilhar o mesmo sofá. 

 

Confesso que tenho memórias de brincar com o meu pai, de ir com ele à bola (apesar de sermos de clubes diferentes) de ir ao cinema, de o ver jogar futebol na praia com a sua elegância. Tenho memórias e saudades, muitas saudades. Mas essas saudades acrescidas pela falta física dele em vez de me entristecer, dão-me segurança. Foram essas memórias de afeto que me ajudam no dia-a-dia a ultrapassar momentos menos bons. Quando estou mais triste ou quando tenho uma situação com os meus filhos lembro-me daquilo que fizeram comigo. Já repararam que quando temos filhos bébés entoamos as mesmas músicas que os nossos pais nos cantaram? Não é mágico? Tenho a certeza que em criança fui muito amado e que fui uma das prioridades da vida dos meus pais e por isso hoje sou um homem que sabe muito bem o que quer.


E nós? Pais nos 30/40. Que vivemos nos grandes centros urbanos, que temos dois carros, três telemóveis, quatro TV’s espalhadas pela casa e um sem número de dívidas para pagar? Pais que tentam achar que o dinheiro é tudo, quando o que as crianças querem - pelo menos até começarem a ver as diferenças sociais na adolescência -  é de atenção. Às vezes muita atenção. Mas é só isso.

 

Será que custa muito? Não tarda eles crescem, estão a sair de casa e vamos vê-los muito menos tempo, aliás, vamos passar dias sem os vermos. E no dia em que morrermos, como é que eles nos irão recordar? Que força podemos transmitir-lhes para serem mais fortes na vida? Sim, porque nós sabemos, isto não é tão simples como nos contam, verdade?

 

Deixo este vídeo fantástico de um pai muito cool. Para pensarmos todos nisto (eu inclusive, porque estou muito, muito longe de ser o pai que gostava de ser e daquilo que os meus filhos merecem):

 

 

 

 

 

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