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Like A Man

Like A Man

Cada um de nós tem três tipos de vida?

 

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Sim, é verdade. Todos nós temos uma vida pública, uma vida privada e uma vida...secreta. Explico melhor. Há uns dias vi um filme italiano no videoclube da box lá de casa, o título na língua original é “Perfetti Sconosciuti”, traduzido à letra seria Perfeitos Desconhecidos, mas alguém decidiu que o título em português ficava melhor como: “Amigos, amigos, telemóveis à parte”. Enfim.

 

O filme é mais ou menos isto – podem ler que não darei spoilers – um grupo de amigos, uns casados ou juntos e outro divorciado, juntam-se para jantar em casa de um dos casais. Com os problemas e situações normais pelo qual já todos passamos. O vinho que se leva ao jantar é caro o suficiente? Será que o tal casal vai dizer aquelas coisas que nos incomodam? A tal mulher do amigo vai estar mais magra ainda, etc.

 

Às tantas, na conversa à volta da mesa – coisa que tal como os portugueses os italianos gostam de fazer-, uma das mulheres faz um jogo: que todos coloquem os seus smartphones em cima da mesa, com as notificações ligadas, e partilhem as várias mensagens, telefonemas, e SMS que vão recebendo durante o jantar. Tudo para perceber se, de facto, existem ou não segredos entre melhores amigos, e entre os casais.

 

Para saberem como as coisas se desenrolam vejam o filme. Há muitos stresses, mal entendidos, discussões, risos, beijos, etc.

 

Mas às tantas, como podem ver pelo trailer (abaixo) a conversa anda à volta da forma como deixamos que os smartphones comecem a dar maior importância à nossa vida secreta do que às outras. E atenção, que quando falo em vida secreta não quero falar só de amantes e facadas nos casamentos. Podem ser guilty pleasures. Aquela música que não queremos que ninguém saiba que gostamos. Aquele perfil que seguimos no Instagram. Aquele feed de uns sites estranhos sobre um gosto qualquer mais peculiar que tenhamos – e não necessita de ser de cariz sexual - e que não partilhamos com quase ninguém.

 

Mas o filme fez-me pensar noutro problema, que não a fidelidade ou falta dela. Se isto continuar assim prevejo que no futuro seremos apenas seres individuais. Ligados umbilicalmente aos nossos aparelhos. Tudo estará à distância de um clique. Uma refeição, um elogio, um parceiro sexual, uma viagem ou aquela compra que nos preenche. Basta clicar e... feito.


Será um futuro triste, ainda um pouco distante, espero, mas que poderá acontecer. Isto tudo porque, parece-me, a nossa vida secreta está a ganhar cada vez mais espaço e importância nas nossas vidas. Concentramo-nos a viver através de ecrãs e deixamos a experienciação de lado. Parece tudo demasiado parecido com o Matrix.

 

O assunto é sério. E já há muita gente a pensar no que isto “vai dar”. Até a Apple irá disponibilizar em breve Apps para monotorizarmos o tempo que nós e os nossos filhos passamos online. Há uma vida lá fora. E vidas secretas também sempre existiram – só que não nos tomavam tanto tempo e não tinham tanta importância

 

O trailer, com legendas em inglês: