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Like A Man

17
Jan17

A última fronteira dos solteiros.


LiAM

O que têm a praia, o cinema e as viagens em comum? Para além de serem óptimos programas para fazermos nas férias, têm em comum o facto de serem actividades que normalmente fazemos em grupo ou a dois, com um/a amigo/a. Quem está numa relação pode fazê-lo com os seus respectivos, mas não é sobre eles esta crónica. Sendo eu solteiro, posso falar com alguma propriedade, sobretudo depois de inúmeras conversas com outros amigos e amigas solteiros em que, invariavelmente, o tema vem à baila. E aí percebe-se uma clara relutância em fazer uma destas (senão todas) actividades desprovido de companhia. Sozinhos, portanto. A par de um almoço ou jantar sem qualquer companhia, diria que estes serão os grandes bastiões a ultrapassar em termos de desconforto perante os outros por parte desta enorme comunidade dos SA (solteiros anónimos).

Em pleno século XXI não deixa de ser surpreendente que exista tanta gente incomodada por estar nessa "condição", ao ponto de deixar fazer uma série de coisas apenas porque não tem companhia naquele momento. Vamos deixar de parte as pessoas que deixam de fazer estas coisas porque não têm qualquer prazer em fazê-las sozinhas. Ok, isso eu percebo. Se não gostam, não fazem. Falemos então das muitas outras que, mesmo querendo fazê-lo, não o fazem em resultado de um certo estigma social, ou vergonha sobre o que os outros vão pensar. Ou, pior ainda, porque têm receio do que eles próprios vão pensar. Sim, estamos muito pouco habituados a estar sozinhos. Em silêncio connosco mesmo, sem os estímulos de uma conversa, da música do rádio ou do som de fundo da televisão. Muitas vezes, mesmo sem pensarmos muito sobre isso, fugimos ao silêncio, evitamos a "solidão" de estarmos na melhor companhia de todas: nós próprios. Em consequência disso, acabamos por nos preocupar demasiado com o que os outros pensam, deixando de fazer o que nos dá prazer. Mas, pensem comigo, que mal tem irmos ao cinema sozinhos, se o propósito até é estarmos numa sala escura em silêncio? Está tudo na nossa cabeça, admitamos. A praia é outro "campeonato", reconheço. Se for verão, estará com muita gente e há sempre quem se preocupe demais com a opinião do outros. Who cares? Neste caso particular, a única (e eterna) questão é "quem é que me vai passar protector solar nas costas?". Se as mulheres têm uma certa desenvoltura (elasticidade é o termo) nesta prática, para nós, homens, é um pouco mais difícil. O que, para os mais tímidos, que não têm lata para a pedir ajuda à miúda gira que está mesmo ali ao lado, acaba por resultar num indesejável escaldão. Mas adiante.Falemos do Santo Graal desta questão: as viagens a solo. Escreve-vos alguém que já passou por isso. Eu, relutante, me confesso. Não foi fácil tomar a decisão de embarcar na primeira viagem sozinho. Ajudou o facto de ir ter com um amigo que vivia por perto do destino final, ainda que a sua companhia fosse apenas por uns dias das duas semanas da viagem. Não ajudou tanto o facto de ter sido uma viagem para o Sudeste Asiático. E daí talvez tenha ajudado. Na lógica "viagem curta vs viagem longa", se calhar é preferível dar um mergulho para "fora de pé", já que evita a tentação de regressar mais cedo se se arrependerem (coisa que nunca me aconteceu), sendo por isso um verdadeiro teste à vossa resistência de SA. Se nunca o fizeram, recomendo. Aprende-se um pouco mais sobre o destino, já que estamos mais atentos, e muito mais sobre nós próprios, pela abertura a que nos obrigamos e pela capacidade que desenvolvemos para nos especializarmos nessa actividade tão tipicamente portuguesa: o desenrascanço. Sim, ficamos mais práticos e desenrascados, afinal não temos ninguém ali ao lado que tome as decisões por nós, que escolha o restaurante ou o que vamos fazer amanhã, que decida se vamos para a esquerda ou para a direita ou se levantamos dinheiro agora ou mais logo. Enfim, dependemos apenas e só de nós, o que é fantástico. E se há altura em que é mais fácil viajar sozinho, é agora. Com as novas tecnologias, sobretudo o smartphone, estamos sempre perto dos que ficam por cá, que podem acompanhar as nossas aventuras através das redes sociais, caso escolhamos partilhar alguma coisa, ou pelas mensagens instantâneas do WhatsApp, sempre disponível onde houver uma rede Wi-Fi.Dito isto, e porque estamos em janeiro, lanço-vos o desafio. Se nunca o fizeram, façam-no ainda este ano. Não esperem pelos amigos que não podem tirar férias na mesma altura que vocês, ou pela futura namorada que tarda em aparecer na vossa vida. E borrifem-se para o que os outros vão pensar. A vossa vida é isso mesmo, vossa para curtir, vossa para aproveitar. Dito (também) isto, aproveito para informar que vou ali à Ásia e já volto. Voltem vocês também para acompanharem os relatos e dicas que aqui vou deixar sobre a experiência. Até já, meus senhores!

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